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O tempo e o espaço no cinema pós-moderno Junho 20, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
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A pós-modernidade trouxe para as cidades um cenário global e eclético. Os espaços urbanos são entrelaçados por diversas imagens, produtos, etnias e culturas gerais. Pessoas se comunicam através de diferentes línguas, vendem ou compram produtos pertencentes a outras localidades, constroem prédios e espaços com suas próprias características, transformam o espaço urbano em variedade global, comprimindo o tempo-espaço, tornando a cidade caótica, rápida e flexível.


David Harvey utiliza como exemplo os filmes: “Blade Runner” (EUA, 1982) e “Asas do Desejo” (Alemanha, França, 1987) para representar o tempo e o espaço no cinema pós-moderno. As obras apresentam temas como a pós-modernidade, a acumulação flexível e a compressão de tempo-espaço.


“Blade Runner” destaca a forma como a cidade de Los Angeles é representada (através de ficção científica) no ano de 2019. A cidade torna-se um verdadeiro lixo na superfície das ruas, que são utilizadas por uma população menos favorecida. É forte a representatividade de vários povos misturados e se comunicando por diferentes idiomas. Prédios são abandonados e as partes inferiores da cidade não recebem luz do sol, contendo uma constante chuva ácida. O não recebimento da luz dá-se pelas grandes construções de empresas dominadoras e por uma classe superior. O enredo do filme é a construção genética de simulacros humanos, chamados de “replicantes” capazes de desempenhar muito melhor, diversas funções humanas, principalmente as funções geradas com a acumulação flexível. O problema se baseia nas autoridades terem que eliminar os “replicantes” que, se rebelam insatisfeitos com suas condições, no caso, de ter uma vida útil de até quatro anos. Revoltados com a determinação do tempo imposta por seus criadores, os “replicantes” tornam-se uma ameaça para a população e, diante da situação, começa-se uma caça aos simulacros. Para detectar “replicantes”, é necessária uma bateria de perguntas que os levam a não-resposta. Diante da capacidade intelectual implantada nos mesmos, eles começam a utilizar fotos para provar uma antiga existência, no caso, uma existência natural humana.


Em “Asas do Desejo”, a exploração da imagem urbana também se torna evidente. O filme passa-se em Berlim – Alemanha, vista pelos olhos de anjos imortais capazes de saber os pensamentos de pessoas. O filme reflete imagens frias e fragmentadas, de indivíduos alienados e isolados – retrato pós-moderno. Semelhante a “Blade Runner”, “Asas do Desejo” apresenta Berlim em um espaço interativo global, com diferentes tipos de pessoas e idiomas diversos. Um fator importante a ser analisado e comparado a “Blade Runner”, é a forte presença da imagem em forma de foto para provar ou identificar uma pessoa. Em “Asas do Desejo”, a trapezista Marion, parece não ter uma vida fora do atual contexto. O único fato que prova sua existência, sua história, são imagens fragmentadas em forma de fotografia.


A força da imagem, em especial da fotografia, aparece nos dois filmes citados por David Harvey. A compressão de tempo-espaço provoca um ritmo acelerado no cotidiano das pessoas. Escritas são substituídas por imagens, consequentemente, histórias de vida são representadas através de fotografias que provam à existência de um ser, em determinadas etapas de sua vida.


David Harvey conclui que a experiência recente do tempo-espaço, sob as pressões da passagem para modos mais flexíveis de acumulação, gerou uma crise de representação nas formas culturais o que se torna um tópico de intensa preocupação estética.



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