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A comunicação artificial humana. Dezembro 10, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico, * Sorocult.
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A comunicação humana surgiu da necessidade do homem de encontrar em outro ser a solução para a solidão e a troca de informações. Os homens em si são considerados animais não-naturais, pois se comunicam de maneiras artificiais, através de códigos inventados. Entretanto, as relações entre filhos e mães e as relações sexuais são consideradas naturais, pois não precisam necessariamente da utilização de códigos desenvolvidos pelo homem, mas, ainda assim, não deixam de ser influenciadas pela cultura de um determinado espaço, o que pode provocar a alteração do ato natural para o artificial.

Filósofos afirmam que o objetivo da comunicação humana, é nos fazer esquecer o contexto de nos encontrarmos sozinhos e “incomunicáveis”, para também esquecermos que, naturalmente, estamos condenados à morte. Ao longo da história, os humanos desenvolveram códigos de comunicação, como a arte, a filosofia, a religião e a ciência, a fim de sintetizar um sentido para as diversas razões da vida. Dentre os códigos mencionados, a religiosidade é criada para confortar e explicar a sentença natural do homem, a morte. Antigamente, os humanos presenciavam o processo de decomposição dos corpos e o ato da morte causava terror aos presentes, provocando sentimentos dolorosos. Por meio desses sentimentos, surgiu a necessidade de criar um código que explicasse o fenômeno natural da vida e, dentro dessas explicações, adotou-se o costume de enterrar os corpos, ou seja, o sentido de “voltar para a terra”, o que diminuía o terror, proporcionando alívio e sentido para a causa natural.

Na medida em que se tenta promover, através dos códigos, o esquecimento da falta de sentido da vida e da solidão, os homens trocam diferentes informações, a fim de sintetizar uma nova informação. Essa forma de troca de informações é considerada dialógica. No entanto, para preservar e manter as informações, os homens compartilham diferentes conhecimentos na esperança que os mesmos possam resistir melhor ao tempo. Essa é a forma considerada discursiva. Para que um discurso aconteça, o emissor tem que dispor de informações que tenham sido produzidas em um diálogo anterior. Cada diálogo pode ser considerado uma série de discursos orientados para a troca, devendo haver um equilíbrio entre os dois, pois estes estão diretamente ligados um ao outro.

Apesar de ser um animal solitário, o homem sente a necessidade de viver em comunidade e criar códigos, através do tributo da razão. Para sustentar a teoria da comunicação artificial, pode-se afirmar que a comunicação não-artificial é a comunicação estabelecida por animais, como a dança das abelhas e o canto dos pássaros. Assim, os animais são seres irracionais que agem obedecendo a instintos, num processo de comunicação natural, diferente da comunicação humana que, influenciada pela razão, torna-se algo inteiramente artificial, ou seja, não-natural.

 

Texto com base nas teorias de Vilém Flusser.

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