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Desordem e retrocesso Dezembro 17, 2008

Posted by lupado in * Curioso.
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Dias atrás, eu estava viajando e passei pelo nosso Aeroporto Internacional de Guarulhos e desembarquei no Aeroporto Internacional de Montevidéu – Uruguai.

Gostaria de chamar a atenção para o país que eu me referi, o Uruguai. Um país latino assim como o nosso, “subdesenvolvido”, onde os avanços tecnológicos e a ordem não são “escandalosos” como nos EUA, Europa e Japão, ou seja, farei uma comparação de “Terceiro Mundo” para “Terceiro Mundo”.

Sempre acreditamos piamente em todos os apetrechos tecnológicos utilizados nesses espaços para o controle e a segurança, tanto daqueles que deixam o território quanto daqueles que chegam, ou ainda, do exemplo de quem deixa o território de origem para outro desconhecido.

No dia em que eu desembarquei no Uruguai, senti na pele o quanto somos falhos e, pela primeira vez, tive uma forte sensação de “vergonha alheia” por ser brasileira.

Ao passar pela máquina de raio X uruguaia, o senhor que estava à minha frente foi barrado. Ao ser revistado pela guarda local, foi constatado que ele estava com um chaveiro de metal no bolso. Tudo bem, os guardas pediram para que ele passasse novamente no detector, enquanto sua mala também disparava o alarme do aparelho. Dela, os guardas retiraram os seguintes materiais: um canivete de bolso, duas chaves de fenda e um alicate. O brasileiro, com um olhar sarcástico, de quem não estava entendendo a gravidade da infração e, ao mesmo tempo, achando ridícula a atitude dos guardas uruguaios, deixou o material com os mesmos e saiu zombando do sistema de segurança local.

Confesso que senti vergonha e muita. Vergonha porque aquele homem talvez não tenha passado, no nosso aeroporto, pela entrevista de check-in. Vergonha por saber que depois dele não ter feito a entrevista – “você possui ferramentas, metais pontiagudos, bombas, armas  etc”-, ele passou pelo nosso sistema de raio x que não foi capaz de detectar objetos tão alarmantes (no mínimo estava desligado), vergonha por estar logo atrás dele e ser do mesmo território que ele e, por fim, vergonha da cara que ele fez quando quis sair por cima da situação, criticando a guarda uruguaia.

Acontece que ficamos ofendidos quando pessoas “de fora” referem-se ao nosso Brasil como um país sem ordem, onde tudo parece ser levado “nas coxas”. E exigimos respeito! Estufamos nosso peito quando a nossa autoridade maior enche a boca para dizer que somos auto-suficientes, que somos capazes de não nos abalarmos com “crises” e que caminhamos para, finalmente, honrarmos a frase estampada em nosso símbolo nacional “Ordem e Progresso”. Mas, esse mesmo homem, nossa autoridade, esquece-se da ordem das pequenas coisas, do progresso que só se alcança em conjunto – como uma engrenagem-, da distribuição da informação geral para todos os grupos e classes e, acima de tudo, da educação da massa brasileira.

Aquele homem mal informado e de má postura que deixou nosso país e pisou em chão uruguaio não é apenas mais um brasileiro, ele é um representante do Brasil e de cada um de nós e, quando somos minoria em outro território e estamos próximos a homens como ele, somos um pouco deles também.

Lamentável.

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Comentários»

1. Thaís Calixto - Dezembro 23, 2008

Há tempos sabemos dos problemas relacionados à segurança, ou melhor, do nosso problema de insegurança.
Não importa seu destino, do Brasil aos Estados Unidos, de Curitiba ao Rio de Janeiro ou de São Paulo ao Uruguai. A falta de segurança cruza as fronteiras, e não poderia ser diferente entre os países que formam o MERCOSUL.
Interessante é o aeroporto de São Paulo, não identificar os objetos de alta periculosidade, podendo causar danos irreversíveis. Tenho que citar também a atitude do senhor que, infelizmente, alimenta a fama dos brasileiros e que realmente nos representou muito mal.