jump to navigation

A comunicação artificial humana. Dezembro 10, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico, * Sorocult.
Tags:
add a comment

A comunicação humana surgiu da necessidade do homem de encontrar em outro ser a solução para a solidão e a troca de informações. Os homens em si são considerados animais não-naturais, pois se comunicam de maneiras artificiais, através de códigos inventados. Entretanto, as relações entre filhos e mães e as relações sexuais são consideradas naturais, pois não precisam necessariamente da utilização de códigos desenvolvidos pelo homem, mas, ainda assim, não deixam de ser influenciadas pela cultura de um determinado espaço, o que pode provocar a alteração do ato natural para o artificial.

Filósofos afirmam que o objetivo da comunicação humana, é nos fazer esquecer o contexto de nos encontrarmos sozinhos e “incomunicáveis”, para também esquecermos que, naturalmente, estamos condenados à morte. Ao longo da história, os humanos desenvolveram códigos de comunicação, como a arte, a filosofia, a religião e a ciência, a fim de sintetizar um sentido para as diversas razões da vida. Dentre os códigos mencionados, a religiosidade é criada para confortar e explicar a sentença natural do homem, a morte. Antigamente, os humanos presenciavam o processo de decomposição dos corpos e o ato da morte causava terror aos presentes, provocando sentimentos dolorosos. Por meio desses sentimentos, surgiu a necessidade de criar um código que explicasse o fenômeno natural da vida e, dentro dessas explicações, adotou-se o costume de enterrar os corpos, ou seja, o sentido de “voltar para a terra”, o que diminuía o terror, proporcionando alívio e sentido para a causa natural.

Na medida em que se tenta promover, através dos códigos, o esquecimento da falta de sentido da vida e da solidão, os homens trocam diferentes informações, a fim de sintetizar uma nova informação. Essa forma de troca de informações é considerada dialógica. No entanto, para preservar e manter as informações, os homens compartilham diferentes conhecimentos na esperança que os mesmos possam resistir melhor ao tempo. Essa é a forma considerada discursiva. Para que um discurso aconteça, o emissor tem que dispor de informações que tenham sido produzidas em um diálogo anterior. Cada diálogo pode ser considerado uma série de discursos orientados para a troca, devendo haver um equilíbrio entre os dois, pois estes estão diretamente ligados um ao outro.

Apesar de ser um animal solitário, o homem sente a necessidade de viver em comunidade e criar códigos, através do tributo da razão. Para sustentar a teoria da comunicação artificial, pode-se afirmar que a comunicação não-artificial é a comunicação estabelecida por animais, como a dança das abelhas e o canto dos pássaros. Assim, os animais são seres irracionais que agem obedecendo a instintos, num processo de comunicação natural, diferente da comunicação humana que, influenciada pela razão, torna-se algo inteiramente artificial, ou seja, não-natural.

 

Texto com base nas teorias de Vilém Flusser.

.

 

 

 

 

 

 

 

Resenha: Estenda a mão e toque alguém – Celeste Olalquiaga Novembro 5, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
Tags:
add a comment

 

O avanço da tecnologia possibilitou um aumento das imagens visuais, assim, constituindo um novo espaço simulado. Celeste Olalquiaga, observa que a tecnologia está, aos poucos, substituindo o orgânico pelo cibernético e o simbólico pelo imaginário, o que produz uma fragmentação do eu.A constituição de um novo espaço simulado através das imagens é comparada a Psicastenia, ou seja, a uma perturbação da relação entre o eu e o território em torno – estado em que o espaço definido pelo próprio organismo se confunde com o espaço representado.

A cultura contemporânea faz com que a linguagem verbal seja substituída pela linguagem visual. As pessoas tornam-se limitadas por meio do visual, o que significa que a cultura urbana está presa em um nível imaginário. As imagens são essenciais na formação de uma identidade, no entanto, elas devem representar uma sensação de integridade, caso contrário, a autopercepção permanece fragmentada.

Os monitores e as telas tornaram-se as janelas do mundo, mas, as paisagens ali representadas, são limitadas a uma moldura; uma realidade evasiva da cultura pós-moderna e que possibilita ser mudada simultaneamente.

Os urbanistas estão perdendo a percepção, não só através dos sempre citados anúncios que provocam a redução da ausência referencial, estão perdendo também, através da arquitetura pós – moderna. Os shoppings, como exemplo, apresentam ambientes homogêneos, escadas, vitrines, estacionamentos e elevadores, parecem ser os mesmos em todos os diferentes espaços, o que causa aos consumidores, a sensação de estar em um labirinto – perda de percepção.

Por meio da multiplicação das imagens, as pessoas estão cada vez mais procurando maneiras para preencher o vazio deixado pela dúvida. Celeste Olalquiaga afirma que, com as diferentes simulações ocorridas a partir da cultura pós-moderna, as pessoas começaram a desenvolver a Compulsão Obsessiva – “doença da dúvida”; a sensação de não ter fechado uma porta é um simples exemplo dessa obsessão.

Diferente da Pisicastenia, a Compulsão Obsessiva, em concordância com os recursos tecnológicos, recorre à velocidade como maneira de recobrir o vazio de identidade que foi aberto pela dúvida. A pessoa fica presa no tempo, que se repete como um gesto fútil de imitação. Sendo um processo artificial do espaço, segundo Celeste, a repetição obsessiva está no centro do processo de simulação no qual a cultura pós-moderna está empenhada. Assim, os seres-humanos estão desconectados de suas próprias emoções e recorrem as máquinas a fim de sentir qualquer tipo de sentimento.

Apropriando-se dessa nova tendência, a mídia televisiva começou a investir em um gênero polêmico chamado docudrama. O docudrama é um simulacro sobre a mistura de um fato real e a ficção, que se baseia na legitimidade da imagem. Transformar situações de dor, como exemplo, os assassinatos, em documentários televisivos exagerados, tornou-se banal. A população fica na expectativa de receber informações sobre cada detalhe do crime, como se fosse um conto qualquer, esquecendo-se que o ocorrido é um fato real e desumano.

Além de parecer ter tomado o espaço, a tecnologia o está transformando em um contínuo estado de autodúvida, hesitação e confusão. Para preencher as lacunas de uma sensação de vazio, provocada pelos estados citados, as pessoas procuram diferentes fragmentos de imagens disponibilizadas, para encontrar uma forma de prazer, ao ponto que a realidade e a fantasia tornam-se indistinguíveis.

O avanço da tecnologia moderna possibilitou o corpo humano intercambiar com o computador, assim, o corpo está se tornando mecanizado ao mesmo passo que a tecnologia está se humanizando.

 _____________ 

Celeste Olalquiaga

Megalópoles. Sensibilidades culturais contemporâneas

Resenha: Capítulo 1. 

.

.

 

O espaço: Sistemas de objetos, Sistemas de ação | Milton Santos Agosto 5, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
add a comment

                                                   Milton Santos define que a geografia poderia ser construída a partir da consideração do espaço como um conjunto de fixos e fluxos. Os fixos são formados pela natureza natural e também por elementos criados pelo homem, fixados em determinados locais. Os fluxos são resultados de ações e atravessam ou se instalam em elementos fixos, muitas vezes, alterando significados e/ou valores, modificando os lugares. Os fluxos não são necessariamente materiais, eles podem ser considerados elementos subjetivos como, por exemplo, as idéias e os pensamentos. Hoje, os fixos são cada vez mais artificiais e, os fluxos, são cada vez mais diversos, numerosos e rápidos.

Antes da interferência do homem nos diversos aspectos territoriais, o território era considerado um conjunto de complexos naturais. Com o decorrer da história, os homens modificaram a configuração territorial através de obras como: fábricas, cidades, portos, casas, depósitos, etc. Essas criações modificam o território, tornam-no menos natural e transformam-no em uma natureza inteiramente humanizada.

O espaço é formado por sistemas de objetos e sistema de ações. Diferente do inicio, onde a natureza selvagem era formada por objetos naturais, com o passar da história, esses objetos foram substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados, cibernéticos e, dessa forma, o espaço tornou-se um sistema formado por objetos cada vez mais artificiais.

Os sistemas de objetos interagem com os sistemas de ações. Os objetos definem formas de ações e, as ações, criam novos objetos ou se realizam sobre objetos pré-existentes. Henri Focillon (1943-1981) definiu o objeto como forma artificial, obra elaborada pelo homem, enquanto definiu a coisa, como um produto inteiro natural, ou seja, sem interferência humana. Considerando a teoria de Focillon, hoje, cada vez mais, os objetos tomam o lugar das coisas. Para Baudrillard (1973) o objeto seria tudo aquilo que o homem utiliza em sua vida cotidiana, assim, a casa e o automóvel são considerados objetos de utensílios e, também, constituem um símbolo, um signo. O autor deu ênfase ao objeto automóvel que, em especial, ultrapassa os significados, tornando-se um dos mais importantes signos da atualidade. O automóvel faz parte do conjunto da vida do homem e é capaz de transformar e redefinir a sociedade e o espaço, assim como o aparelho celular também transformou o espaço, hoje, grande parte da sociedade, não consegue se imaginar sem esse meio de comunicação. Os objetos citados foram capazes de modificar a realidade humana, tornando-se indispensáveis na vida de uma pessoa.

Os objetos vão além dos significados físicos, eles são capazes de possibilitar a sensação de ganho de tempo, liberdade, agilidade, rapidez, além de proporcionar ao homem, um sentimento de realização, status perante a sociedade, sensações características da era pós-moderna.

Para os geógrafos, os objetos são tudo o que existe na superfície da terra, considerando as cidades, estradas, portos, plantações, lagos, montanhas, etc. Não há distinção em objeto natural e o resultado da ação humana. O espaço dos geógrafos, leva em importância todos os objetos existentes numa extensão contínua, sem exceções. Para arqueólogos, segundo Buchsenschutz (1987), objeto é todo elemento sólido que foi utilizado pelo homem para se abrigar, trabalhar ou transportar algo.

Os homens são considerados seres de ação, pois interagem não só consigo, mas com outros e, também, com as coisas da terra. Para Schtz (1967), ação é a execução de um ato projetado e o ato, supõe uma situação sobre a qual se projeta a ação. Através dessa situação, cria-se uma alteração do meio, um deslocamento do ser no espaço. Dessa forma, o homem também modifica a si mesmo, o seu próprio íntimo, ao mesmo tempo em que modifica a natureza externa.

As ações humanas estão cada vez mais voltadas aos próprios fins do homem e do lugar onde ele está inserido. A ação humana está tornam-se menos racional, a medida que a decisões exigem certa rapidez no pensar e agir. Um caso atual é o impulso provocado pelas campanhas de publicidades, evidentes em todos os veículos de comunicação e em quase todos os espaços urbanos. Essas campanhas têm por finalidade induzir o receptor ao ato da compra de um produto ou serviço oferecido.

Para Giddens, (1978), o homem tem limitações em suas escolhas, por exemplo, não está apto a distinguir com precisão se os discursos políticos ou de produtos são verdadeiros ou não, considerando estes submissos às regras de marketing. Por outro lado, as ações racionais estão diretamente ligadas aos objetos técnicos. Embora estejam se tornando cada vez mais precisas, tornam-se também mais cegas, pois obedecem a um projeto alheio. As ações técnicas correspondem as transformações da natureza, enquanto as ações simbólicas, servem-se sobre o ser humano e compreendem formas afetivas, emotivas, rituais, entre outras formas com significado representativo.

Segundo Milton Santos, o cotidiano se dá mediante três formas: forma técnica, forma jurídica e forma simbólica. A ordem técnica e a ordem jurídica apresentam-se como dados; a forma simbólica representa transformação, mudança, surpresa, recusa ao passado, sendo o agir simbólico, ligado a força da afetividade.

O espaço geográfico é algo que participa da condição do social e do físico, como um misto. Há uma relação entre o valor da ação e do lugar onde ela se realiza, pois sem essa relação, todos os lugares teriam o mesmo valor de uso, de troca, valores que não seriam modificados ao decorrer da história.

Resenha: Milton Santos

 

 

 

A natureza do Espaço

 

 

A natureza do Espaço

 

 Capitulo: 2

.

As técnicas, o tempo e o espaço geográfico. Julho 14, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
1 comment so far

Resenha: Milton Santos

A técnica é dada pela relação entre o homem e o meio, no caso, a natureza. As técnicas constituem um conjunto de meios instrumentais e sociais, dos quais o ser – humano utiliza-se para diversas situações de sua vida. Milton Santos ressalta que, através das técnicas, o homem realiza a sua vida, produz e, ao mesmo tempo cria espaço, no entanto, essa maneira de ver a técnica não é inteiramente explorada. Pesquisadores como Adam Schaff, Pinch & Bijker, Denis-Clair Lambert, Barre e Papon, entre outros, não demonstraram interesse em desenvolver questões, a fundo, sobre a relação entre a técnica e o espaço, como se a técnica não fizesse parte do território.

O geógrafo Philip Wagner (1960) foi quem se preocupou, de forma considerável, com as questões entre geografia e tecnologia, entretanto, Vidal de la Blache e Lucien Febvre foram os considerados pioneiros da produção de uma geografia vinculada às técnicas.

Pierre George (1974) faz um comparativo entre a cidade atual e a cidade antiga, alegando que, até o século XIX a cidade seria um produto cultural, tornando-se, a partir da data mencionada, um produto técnico. Para Maximilien Sorre, o entendimento da relação entre mudança técnica e mudança geográfica era fundamental. Sugeriu que os estudos geográficos, levassem em conta as técnicas da vida social, as técnicas da energia, as técnicas da conquista do espaço e da vida de relações e as técnicas da produção e da transformação das matérias primas.

Para Simondon (1958, 1989) o espaço é formado por “objetos técnicos concretos” e “objetos abstratos”, ambos distintos. Segundo o autor, quanto mais próximo da natureza o objeto é, mais imperfeito ele será; quanto mais tecnicizado, mais perfeito será; logo, o “objeto técnico concreto” acaba por ser mais perfeito que a própria natureza. Simondon considera que “o objeto técnico é um ponto de encontro entre dois meios, o meio técnico e o meio geográfico”.

Deve-se levar em consideração a propagação desigual das técnicas. Um determinado espaço pode possuir diferentes propagações de elementos técnicos, pertencentes a diversas épocas. Sistemas técnicos combinados de diferentes idades vão influenciar nas formas de vida possíveis de uma determinada área. A técnica é um elemento fundamental para a explicação da sociedade e dos lugares. O uso dos objetos, através do tempo, mostra a história de um lugar e fora dele e a contínua mudança sofrida ao longo do tempo.

As técnicas podem ser consideradas como medidas do tempo: tempo de trabalho, circulação, divisão territorial e tempo de cooperação. O espaço do trabalho contém técnicas que determinam um tempo. Esse espaço também se impõe através das condições que ele oferece, como exemplo: lazer, política, circulação, produção, residência, comunicação, entre outros. A técnica é um dado essencial do espaço e do tempo operacionais; e do espaço e do tempo percebidos. Marx “o que distingue as épocas econômicas umas das outras, não é o que se faz, mas como se faz, com que instrumentos de trabalho”.

É possível, através das origens das técnicas, datar uma materialidade artificial, ou seja, identificar a idade de um lugar, no entanto, cada técnica é modificada de acordo com as mudanças dos espaços.

Toda paisagem habitada pelos homens traz a marca de suas técnicas. Gourou

A Natureza Do espaço
Capítulo 1
SANTOS, Milton

.

O tempo e o espaço no cinema pós-moderno Junho 20, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
add a comment



A pós-modernidade trouxe para as cidades um cenário global e eclético. Os espaços urbanos são entrelaçados por diversas imagens, produtos, etnias e culturas gerais. Pessoas se comunicam através de diferentes línguas, vendem ou compram produtos pertencentes a outras localidades, constroem prédios e espaços com suas próprias características, transformam o espaço urbano em variedade global, comprimindo o tempo-espaço, tornando a cidade caótica, rápida e flexível.


David Harvey utiliza como exemplo os filmes: “Blade Runner” (EUA, 1982) e “Asas do Desejo” (Alemanha, França, 1987) para representar o tempo e o espaço no cinema pós-moderno. As obras apresentam temas como a pós-modernidade, a acumulação flexível e a compressão de tempo-espaço.


“Blade Runner” destaca a forma como a cidade de Los Angeles é representada (através de ficção científica) no ano de 2019. A cidade torna-se um verdadeiro lixo na superfície das ruas, que são utilizadas por uma população menos favorecida. É forte a representatividade de vários povos misturados e se comunicando por diferentes idiomas. Prédios são abandonados e as partes inferiores da cidade não recebem luz do sol, contendo uma constante chuva ácida. O não recebimento da luz dá-se pelas grandes construções de empresas dominadoras e por uma classe superior. O enredo do filme é a construção genética de simulacros humanos, chamados de “replicantes” capazes de desempenhar muito melhor, diversas funções humanas, principalmente as funções geradas com a acumulação flexível. O problema se baseia nas autoridades terem que eliminar os “replicantes” que, se rebelam insatisfeitos com suas condições, no caso, de ter uma vida útil de até quatro anos. Revoltados com a determinação do tempo imposta por seus criadores, os “replicantes” tornam-se uma ameaça para a população e, diante da situação, começa-se uma caça aos simulacros. Para detectar “replicantes”, é necessária uma bateria de perguntas que os levam a não-resposta. Diante da capacidade intelectual implantada nos mesmos, eles começam a utilizar fotos para provar uma antiga existência, no caso, uma existência natural humana.


Em “Asas do Desejo”, a exploração da imagem urbana também se torna evidente. O filme passa-se em Berlim – Alemanha, vista pelos olhos de anjos imortais capazes de saber os pensamentos de pessoas. O filme reflete imagens frias e fragmentadas, de indivíduos alienados e isolados – retrato pós-moderno. Semelhante a “Blade Runner”, “Asas do Desejo” apresenta Berlim em um espaço interativo global, com diferentes tipos de pessoas e idiomas diversos. Um fator importante a ser analisado e comparado a “Blade Runner”, é a forte presença da imagem em forma de foto para provar ou identificar uma pessoa. Em “Asas do Desejo”, a trapezista Marion, parece não ter uma vida fora do atual contexto. O único fato que prova sua existência, sua história, são imagens fragmentadas em forma de fotografia.


A força da imagem, em especial da fotografia, aparece nos dois filmes citados por David Harvey. A compressão de tempo-espaço provoca um ritmo acelerado no cotidiano das pessoas. Escritas são substituídas por imagens, consequentemente, histórias de vida são representadas através de fotografias que provam à existência de um ser, em determinadas etapas de sua vida.


David Harvey conclui que a experiência recente do tempo-espaço, sob as pressões da passagem para modos mais flexíveis de acumulação, gerou uma crise de representação nas formas culturais o que se torna um tópico de intensa preocupação estética.



.


Palestra: As perspectivas da comunicação no rádio Junho 16, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico, * Palestras.
2 comments

Na última sexta, 13/06, o curso de Mestrado em comunicação e Cultura, promoveu uma palestra sobre a comunicação no rádio e suas tendências numa época em que surgem diversos aparelhos digitais.

A palestra foi muito bem ministrada pelo professor/ radialista Alexandre Tondella. Entre os assuntos, foi discutida a questão da liberdade proporcionada pelo rádio – o ouvinte cria suas próprias imagens a partir do que é apresentado. Diferente da televisão, que o conteúdo e as imagens apresentadas são pré-concebidas, o rádio permite que você possa imaginar os ambientes, personagens e paisagens, da maneira em que desejar. É o único veículo de comunicação que “dá asas a sua imaginação” e que, interage diretamente com o ouvinte.

A maior discussão da noite foi a questão dos novos aparelhos digitais e se, os mesmos, são capazes de diminuir a audiência das emissoras. Particularmente, não acredito que esses pequenos aparelhos sejam suficientemente capazes de trocar toda a sensação que o rádio trás, por simples canções pré-selecionadas. Também porque, os rádios com entrada USB já estão no mercado a um bom tempo e, mesmo assim, não vejo muitos usuários desse atual recurso. Se os aparelhos digitais tivessem o poder de modificar o rádio, já o teriam feito.

Uma discussão também interessante foi a questão da emissora Jovem Pan sortear aparelhos de MP3 como brindes -  no caso, “os sorteados” não mais ouviriam a rádio. A meu ver, esses aparelhos não concorrem com as rádios; são utilizados em momentos específicos, como caminhada. É só dar um pulo no centro da cidade e verificar a quantidade de pessoas utilizando fones de ouvido. Isso sim virou uma tendência – poder carregar algumas músicas no bolso, sem ocupar espaço.

No mais, amo ouvir rádio, em especial, os programas jornalísticos que são dinâmicos. Apesar de possuir aparelho de cd em meu veiculo a mais de 7 anos, não troco a surpresa do rádio por uma seleção pré-definida, também porque, ouvir sempre a mesma coisa, enjoa.

___________________

Gostaria apenas de observar algo negativo que se repete em muitas palestras de comunicação.

Acho desnecessário grande parte dos profissionais em comunicação, terem a mania de ostentar o que são e onde trabalham. Uma mania ridícula de querer exibir “quem é mais do que”. O momento aberto para perguntas, serve apenas para acrescentar o conteúdo da palestra e não para fazer com que o palestrante tenha que responder perguntas “imbecis” só porque o “participante” desejou dizer quem é e o que faz.

Não sei se isso só ocorre em Sorocaba, mas não me sinto a vontade com essas situações. Utilizar momentos raros para assuntos particulares, acaba com a nossa imagem – nós, comunicadores. Ainda mais quando se levanta a mão e não sabe, ao certo, o que irá perguntar.

Já assisti a várias palestras de outras áreas e, nelas, o “momento perguntas” é muito bem usado.

Fico triste que, na minha área, existam pessoas tão egocêntricas ao ponto de se sujeitarem ao ridículo.

Ossos do ofício.

 

 

Enfim, o professor Paulo Schetino, a quem muito admiro, surpreendeu mais uma vez com um de seus maravilhosos projetos. Espero que esse seja um grande sucesso e de proveito de muitos.

      

.

A Compressão do tempo-espaço e a condição pós-moderna Junho 12, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
add a comment

A Acumulação flexível faz parte de um processo de mudanças relacionadas a rigidez do modelo fordista, modelo esse que começou a se tornar uma crise aberta por volta de 1973. A transição para a acumulação flexível foi feita, em partes, por uma rápida implantação de novas formas organizacionais e de novas tecnologias produtivas. Dentre as mudanças organizacionais, alguns fatores como: redução de estoque, novas tecnologias de controle eletrônico, produção em pequenos lotes, foram extremamente consideráveis.

A aceleração do tempo de giro nas produções envolveu acelerações paralelas na troca e no consumo. O avanço da tecnologia permitiu diferentes escolhas e atualizações de produtos oferecidos no mercado, o que possibilita acelerar o ritmo do consumo não somente de produtos, mas relacionados a estilos de vida, como exemplo: hábitos de lazer, esporte, música, jogos, etc.

Com a rapidez das mudanças, as pessoas tenderam a estar sempre consumindo o último produto a ser anunciado. Elas, indiretamente, sentem-se desatualizadas quando não possuem o melhor produto, mesmo considerando o fator custo-benefício. Talvez o último computador oferecido seja indiferente para as suas reais necessidades, que podem ser atendidas por um modelo muito inferior. O interesse pela inovação também está ligado ao status social e ao modismo. Segundo Tofler (1970), as mudanças na produção de mercadorias começaram a ficar evidentes durante os anos 60. A dinâmica de uma sociedade de “descarte” (como foi apelidada) deu-se pela ênfase da produção de produtos instantâneos (alimentos ou outras comodidades) e também da descartabilidade de produtos como: xícaras, pratos, talheres, embalagens, guardanapos, etc.

De acordo com Harvey, a publicidade e as imagens da mídia passaram a ter um papel mais integrador nas práticas culturais, tendo assumido uma importância muito maior na dinâmica de crescimento do capitalismo. A publicidade já não possui apenas o papel de promover ou informar um produto, e sim, passa a desempenhar o papel de manipuladora de desejos e gostos mediante imagens que podem, ou não, ter relação com o produto a ser vendido. Harvey ressalva que, se privássemos a propaganda moderna da referência direta ao dinheiro, ao sexo e ao poder, pouco restaria.

As imagens acabam por se tornar mercadorias, pois passam a ser vistas como produção de signos e conceitos. A construção de imagens torna-se um aspecto considerável na concorrência entre as empresas e o sucesso é tão nítido e lucrativo que, investir em construção de imagens (patrocínio de artes, exposições, produções televisivas, marketing direto) se torna tão importante quanto investir em maquinário ou novas fábricas. Segundo Harvey, a imagem tem o poder de estabelecer uma identidade perante o mercado, não só de produtos ou serviços, como também de trabalho. A aquisição de imagem através de produtos com consideráveis signos (carros da moda, grifes de roupas, canetas, etc.), torna-se um fator importante para a auto-apresentação do trabalhador, consequentemente, uma busca de identidade individual, auto-realização e significado a vida. Símbolos como riqueza, posição, fama, poder e classe, sempre tiveram importância na sociedade burguesa, mas, com a crescente afluência material gerada no período de expansão fordista, passa a ganhar maior importância.

Com as técnicas modernas, a produção de imagens como simulacros, passa a ser relativamente fácil. A reprodução de imagens com foco na inovação, permite uma réplica tão próxima da perfeição que a diferença entre o original e a cópia é quase impossível de ser percebida.

A televisão de massa, através da comunicação por satélite, permite pessoas de todo o mundo ter acesso a uma enorme gama de imagens de espaços distintos de todo o mundo. O processo de aniquilação do espaço por meio do tempo se tornou uma realidade nas comunicações na metade dos anos 60. A diminuição de barreiras espaciais resulta na reafirmação e realinhamento hierárquicos no interior do que é hoje um sistema urbano global.

A aniquilação do espaço por meio do tempo permitiu uma incorporação a troca global de mercadorias, onde se é possível experimentar alimentos, possuir produtos e ter acesso a arte de quase todo o mundo. Segundo Harvey, através desses meios, é possível vivenciar a geografia do mundo vicariamente, como um simulacro. O entrelaçamento de simulacros da vida diária reúne no mesmo espaço e no mesmo tempo diferentes mundos (de mercadorias).

Jencks (1987) ressalta que o ecletismo é a evolução natural de uma cultura com escolha. MecHale (1987) “ontologias”, diz ser uma pluralidade potencial e real de universos, formando uma eclética e anárquica paisagem de mundos no plural.

A compressão de tempo-espaço torna-se possíveis diferentes escolhas, no entanto, tomar decisões torna-se mais difícil. Não há mais tempo hábil para pensar e analisar situações. A cobrança da capacidade do indivíduo é cada vez mais intensa de forma que, a realidade em condições de tensão e de compressão de tempo-espaço, faz com que as pessoas criem antecipadamente situações a serem vivenciadas, fator que provoca decisões e ações precipitadas.

 

 

 

 

 

 

 

.

Do Fordismo à Acumulação Flexível Junho 9, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
add a comment

Henry Ford foi o empresário fundador da “Ford Motor Company”. Com modelo baseado nas teorias de Frederick Winslow Taylor, Ford passou a adotar o modelo de produção em massa (por volta de 1914). O modelo idealizado por Frederick Taylor, defendia que, para o aumento da produtividade, os trabalhadores deveriam ser divididos e especializados em uma determinada função, com tempo determinado.

Ford aplicou a teoria de Taylor na Ford Motor Company. Especializou seus funcionários em áreas diferentes e tornou o trabalho mecânico, como um todo. A função desempenhada pelos funcionários de Ford, podia ser comparada a uma peça mecânica, pois eles desenvolviam a mesma função todo o tempo, com movimentos repetitivos. Dessa forma, Ford empregou a linha de montagem com funcionários pouco instruídos, desenvolvendo tarefas simples e repetitivas, junto às máquinas.

No entanto, com o aumento da produtividade e em conseqüência, das vendas dos carros, Henry Ford proporcionou aos seus funcionários carga horária de 8 horas por dia (antes, de 9 horas), além de aumentar o salário para cinco dólares, o dobro comparado ao salário anterior.

A recessão de 1973 (choque do petróleo) possibilitou um conjunto de processos que transformaram o compromisso fordista. Harvey descreve as décadas de 70 e 80 como um conturbado período de reestruturação econômica e de reajustamento social e político. A partir dessas mudanças, surgiu a acumulação flexível, marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo.

A acumulação flexível caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, inovação comercial, tecnológica e organizacional. Como resultado desse novo modelo, o aumento do desemprego e a redução do emprego regular, foram visíveis nos países capitalistas avançados, ou seja, cresceu o uso do trabalho em tempo parcial, temporário ou subcontratado, diminuindo o trabalho regular. O aumento da mão de obra feminina, também marcou a transição flexível por uma revolução no papel das mulheres nos mercados. Naquela época, as mulheres já lutavam por uma maior consciência e melhoria das condições do segmento feminino.

Com o novo modelo de mercado, as economias de escalas buscadas na produção fordista de massa , foram substituídas por uma crescente produção de variedades de bens e preços baixos em pequenos lotes. A subcontratação e a produção em pequenos lotes, superaram a rigidez do modelo fordista, o que possibilitou atender uma gama mais ampla das necessidades do mercado. A meia vida de um produto fordista, era de aproximadamente cinco anos, no modelo flexível, diminuiu pela metade. Harvey justifica essa mudança de duração pelo fato do modelo flexível ter maior atenção as mudanças, acompanhando às modas fugazes, indução de necessidades e transformação cultural. A estética relativamente estável do modernismo fordista, cedeu lugar a efemeridade, ao espetáculo, a moda e a mercadificação de formas culturais. Consumidores passaram a escolher produtos seguindo tendências de moda e sentir a necessidade de trocá-los em um período mais curto. Isso aconteceu devido avanço da tecnologia que, possibilita produtos diferenciados em menor tempo, seguindo as tendências de moda ou de outros fatores influentes.

A produção organizada de conhecimento passou por notável expansão nas últimas décadas, ao mesmo tempo que, assumiu um saliente cunho comercial. O profissional flexível investiu em sua capacidade intelectual, transformando-a em uma mercadoria-chave a ser produzida e vendida a quem pagar mais, sob condições cada vez mais organizadas em bases competitivas.

O controle do fluxo de informações e dos veículos de propagação do gosto e da cultura popular, também se converteu em arma fundamental na batalha competitiva.

A transição do fordismo para a acumulação flexível é clara. O movimento mais flexível do capital, acentuou o novo, o fugidio, o efêmero, o fugaz e o contingente da vida moderna, em vez dos valores mais sólidos implantados na vigência do fordismo.

Ford como cultura.

O modelo empregado por Henry Ford foi essencial para a disciplina do homem, que até então, era desorganizado. Além da disciplina dentro do trabalho, Ford também ensinou técnicas para os funcionários administrarem o lar. É claro que, essas técnicas ou dicas, tinham o fim voltado para a empresa, ou seja, sabendo-se administrar o lar, o funcionário automaticamente não atrasaria no empregou, ou faltaria. Ford, em meados de 1940, seguiu um modelo já estudado por Taylor, modelo esse que, foi capaz de modificar a cultura humana e deixar raízes até os dias de hoje.

ford.jpg
.

As cidades Literárias e a Recriação Comunicativa dos Espaços Urbanos. Junho 2, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
add a comment

 As cidades se resumem em percursos, espaços cotidianos, dias de trabalho ou feriados, diversidade de atividades e de pessoas, símbolos diversos que traduz a história profunda de uma região e suas diferentes etapas no processo da civilização.

As primeiras informações obtidas sobre os espaços, foi através das sociedades orais. Esse quadro só mudou após a alfabetização, que possibilitou uma nova forma de comunicação, a escrita, forma que predomina até os dias de hoje como fonte essencial de informações incontestáveis.

Com a evolução da comunicação midiática audiovisual, surgiu uma maneira eficaz para apresentar e recriar cidades próximas ou distantes. O cinema e a televisão impulsionaram a formação de um imaginário coletivo, ou seja, as pessoas passaram a ter acesso às informações de maneira similar, no entanto, pré-concebidas. Um exemplo simples dos impactos provocados pelas informações fornecidas pela televisão e o cinema, são os acontecimentos do mundo, acompanhados em tempo real por telespectadores de quase todo o mundo, como o Tsunami – Tailândia – 2004 e o atentando ao World Trade Center – Nova York, Estados Unidos – 2001. Mesmo com interação veloz, as informações podem não ser inteiramente reais, passadas de maneira infiel ao que realmente são. Na televisão e no cinema, as informações são filtradas e apresentadas de acordo com as sensações que os profissionais responsáveis por informar, desejam provocar.

A Identidade Cultural Como Forma de Existir

  Célia Romea afirma que cultura é aquilo que se agrega a natureza. É a forma de ser, pensar e atuar de uma sociedade e é fundamental para o desenvolvimento de um país. A cultura manifesta-se através de ritos, costumes, crenças, criações plásticas, gastronômicas, uso da tecnologia, entre outros códigos. Segundo a autora, identidade cultural é o que difere a sua cultura das demais e, o seu patrimônio cultural são os bens culturais (manifestações materiais ou imateriais) de uma determinada cultura.

A sociedade rural desloca-se para a sociedade urbana em busca de um futuro melhor. Com esse deslocamento, a cidade recebe outras identidades, religiões, costumes e diferentes modos de vida. A cidade diversa tem que estar aberta e acolher a todos, mas também, condicionar a quem chega um processo de adaptação, com certo esforço mútuo. A partir dessas mudanças, terão que ser implantadas políticas para que as populações diversas tenham seus lugares sem alterar a imagem da cidade, sem perder a identidade perante o cenário global. Símbolos como a Estátua de Liberdade (Nova Iorque), Coliseu (Roma), Cristo Redentor (Brasil), caracterizam um determinado local, sendo fundamentais para a identidade do mesmo.

Grandes cidades procuram diferentes meios para aumentar o turismo. Buscam honrar as tradições populares para atrair investimentos setoriais e um turismo desejoso. No entanto, para receber o turismo, a cidade deve estar preparada estruturalmente. Além dos serviços turísticos, os profissionais que recebem os turistas, devem estar sempre citando informações sobre a literatura local, como exemplos: novelas, filmes, romances, poemas, peças teatrais, etc. Saber sobre a literatura local e mostrá-la, permite ao turista conhecer a verdadeira personalidade de uma cidade, distante de informações pré-concebidas.

Os filmes despertam a atenção de telespectadores de todo o mundo para o local em que se passa a história apresentada. Através das imagens e histórias, surge o interesse em conhecer os cenários apresentados pelo cinema e televisão e, assim, provoca-se a viagem literária. Os profissionais responsáveis pelo desenvolvimento do filme procuram diversas formas atrativas de apresentá-las. Um exemplo claro é o Coliseu, localizado em Roma, que, nos filmes, aparece por ângulos e iluminações perfeitas e que visto pessoalmente, não é fiel às imagens pré-concebidas.

As cidades Literárias e a Recriação Comunicativa dos Espaços Urbanos.
Célia Romea

 

.

O que é comunicação? Maio 27, 2008

Posted by lupado in * Acadêmico.
add a comment

            A comunicação humana surgiu da necessidade do homem em encontrar em outro ser, a solução para a solidão e a troca de informações. Os homens em si, são considerados animais não-naturais, pois se comunicam de maneiras artificiais, através de códigos. As relações entre filhos e mães e as relações sexuais, são consideradas naturais, no entanto, não deixam de ser influenciadas pela cultura de um determinado espaço.

            Filósofos afirmam que, o objetivo da comunicação humana, é nos fazer esquecer do contexto de nos encontrarmos sozinhos e “incomunicáveis”, para também esquecermos que, naturalmente, estamos condenados a morte.

           A partir dos códigos de comunicação como: arte, filosofia, religião e ciência, surgem às cidades e a vida comunitária com informações mais acessíveis. Entre os códigos, a religiosidade é criada para confortar e explicar a sentença natural do homem, a morte. Antigamente, os humanos presenciavam o processo de decomposição dos corpos e, o ato da morte causava terror aos presentes, provocando sentimentos mais dolorosos. Através desses sentimentos, surge a necessidade da religião, a fim de explicar o fenômeno natural da vida. Dentro dessas explicações adota-se o costume de enterrar os corpos, ou seja, voltar para a terra e, assim, não se presencia mais o terror, o que proporciona alívio e sentido para a causa natural.

           Na medida em que se tenta promover, através dos códigos, o esquecimento da falta de sentido e da solidão de uma vida para a morte, os homens trocam diferentes informações disponíveis a fim de sintetizar uma nova informação. Essa forma de troca de informações é considerada dialógica. No entanto, para preservar e manter as informações, os homens compartilham diferentes informações na esperança que as mesmas possam resistir melhor ao tempo. Essa é a forma considerada discursiva. Para que um discurso aconteça, o emissor tem que dispor de informações que tenham sido produzidas em um diálogo anterior. Cada diálogo pode ser considerado uma série de discursos orientados para a troca, assim, deve-se haver um equilíbrio entre dialogo e discurso, pois estão diretamente ligados um ao outro.

           Apesar do ser – humano ser um animal solitário, ele sente a necessidade de viver em comunidade e criar códigos, através do tributo da razão. Para sustentar a teoria da comunicação artificial, Flusser afirma que, a comunicação não-artificial, é a comunicação estabelecida por animais, por exemplo, a dança das abelhas, o canto dos pássaros. Os animais são seres irracionais que agem obedecendo a instintos, num processo de comunicação natural, diferente da comunicação humana que, influenciada pela razão, torna-se um processo inteiramente artificial, ou seja, não-natural. 

Texto baseado em: O mundo Codificado – Vilém Flusser
Cap. O que é comunicação

.