O Suspeito da Rua Arlington Novembro 11, 2008
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Ontem, estava sem sono e, fiz algo que a anos não me permitia. Perdi algum tempo de meu sono para assistir um filme que me chamou a atenção. “O Suspeito da Rua Arlington” me deixou intrigada com cada desfecho surpreendente. Mas, não foi só a seqüência não óbvia que me chamou a atenção. Mais uma vez, me prendo as causas falhas de um sistema, mostradas de maneira explícita através do cinema.
O professor de história dos EUA perde a esposa, que era agente do FBI, por um erro banal. Em suas aulas, o professor se foca em demonstrar o quanto o sistema deixa a desejar e, a necessidade do mesmo em sempre ter que achar um culpado para amenizar o desespero da população. Deve haver um culpado para tudo. Basta dar qualquer nome que os civis já se confortam. Como se, um atentado gigantesco fosse obra de um só. O sistema engana a população que se engana. E isso não é ficção! Ocorre até os dias de hoje, em qualquer lugar populado.
Por fim, a parte surpreendente do filme é quando o visinho terrorista arma uma armadilha para o professor que, acaba como o responsável pelos atentados. A parte sarcástica é a mostra da imprensa extremista que monta um quebra-cabeça ilusório, convencendo a população sobre a responsabilidade do professor. É claro! Seus alunos não entenderam nada sobre suas aulas. Não conseguiram sair do papel “população de massa” e se renderam a acreditar e colaborar para a imprensa, movidos pela paixão do momento.
Muito bom. É claro que, cada um tira as conclusões que melhor cabem. Mas vale muito a pena ver. Gostei.
sobre o filme: http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=226
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Jogos Mortais V – A indústria sádica. Novembro 3, 2008
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Eis que fui. Fui arrastada por uma galera para presenciar uma das obras – se é que posso chamar de “obra”-, mais sádicas do mundo do cinema. Péssimo. Cada vez mais o “Jogos Mortais” enterra o pouco da criatividade que tinha, para proporcionar ao público apenas o que move o seu nome: “entretenimento sádico”. E lota o cinema. Nenhum filme que está em cartaz é capaz de “competir” com a indústria sádica. Freud já explicou que, todo ser – humano, tem um pontinho de prazer no sádico. Alguns mais, outros menos. Mas, ali, não importa a intensidade do sadismo de cada um, o que importa é que todos estão.
Lembro-me da primeira vez que assisti “O Albergue”. Quase vomitei no cinema. A cena que mostra o personagem principal cortando um dos olhos de uma japonesa, para mim, foi o limite. Fiquei com aquela imagem por muito tempo na memória.
Esses dias, me peguei novamente assistindo o filme – não que eu quisesse, estava cochilando e, quando percebi, aquela cena de repulsa estava bem diante de meus olhos. Mas, aqueles sentimentos de nojo, terror e ânsia, não me tocaram. Entendi que, talvez, eu já estivesse “anestesiada” com a quantidade de porcaria sádica que, tanto a imprensa contemporânea, quanto os “Jogos Mortais” nos proporcionam.
Infelizmente é a nossa realidade. Enquanto os cinemas lotarem, a indústria sádica produzirá cada vez mais pavor. Isso ocorrerá até quando a maioria, já cansada da mesmice (assim como ocorreu às novelas globais), exigir outro tipo de exibição cruel.

Até +.
Última parada 174 Novembro 3, 2008
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O público brasileiro já deve estar acostumado com a semelhança de temas e imagens da grande maioria dos filmes nacionais. “Última parada 174″ não é diferente de muitos outros apresentados nas telas. Miséria, prostituição, violência, negligência e, acima de tudo, a malandragem banal dos excluídos da sociedade contemporânea, em especial, da brasileira.
O filme provoca os sentidos daqueles mais sensíveis. No início, tem-se um sentimento de compaixão ao personagem principal, mas que, ao desenrolar da história e, precisamente no final, é substituído por repúdio ou, até mesmo, a incerteza do que se está sentindo.
Interessante é analisar a facilidade que o diretor teve em demonstrar o quanto o sistema brasileiro é falho, ao passo que, mesmo quando há ajuda de poucos – daqueles que não perderam as esperanças e que se põe em risco por conta-, também não há interesse dos próprios socorridos. Uma situação lamentável, insustentável e inexplicável. Um sentimento enigmático, diferente daqueles proporcionados por filmes como Tropa de Elite, que possui um desfecho glorificador a um personagem – “Capitão Nascimento” -, que tem as falas imitadas, até hoje, por muitos jovens brasileiros.
Isso não é uma crítica a obra “Tropa de Elite”, mas sim, uma comparação a um filme que, após um ano, demonstra uma obra sem paixões, sem “pontos de vista”. Em Parada 174, não há mocinhos, não há aqueles que se recuperaram (“Meu nome não é Jonny”), não há polícia perfeita e, não há malandro bonzinho. O enredo mostra a realidade da cidade maravilhosa, nua e crua.
Interpretações da obra a parte, acho muito interessante filmes como esses – sobre o mundo subalterno brasileiro; fora dos exageros da imprensa “urubu”- serem apresentados para o povo brasileiro. Acredito que haja uma constante necessidade de demonstrar a “real” realidade de muitos dos grandes centros urbanos nacionais, para aqueles que podem e se isolam da atual sociedade. Ao mesmo tempo, me entristece o fato de saber que, grandes obras brasileiras tratam sempre de mostrar o pior lado do Brasil. Obras como essas, têm importância para nós, brasileiros, e não para quem está vendo de “outros lados”. Vendemos uma imagem miserável do Brasil, isso é fato.
Precisamos voltar a utilizar a “indústria cultural” para promover uma imagem plausível de nosso país, assim como no passado. Músicas que falaram/falam sobre o belo, como “Garota de Ipanema” de Tom Jobim, ou várias outras de Caetano Veloso, transformaram o Rio de Janeiro em cidade literária, o que atraiu o interesse e o turismo internacional.
Diferente, hoje nosso cinema, talvez, não tenha percebido que está promovendo e sustentando a idéia do Brasil como sendo um país, literalmente, violento e baixo, o que destrói a construção da imagem antiga.
Ou alguém ainda acredita que os EUA possuem apenas malandros como os de 007 e as paisagens paradisíacas ou tecnológicas apresentadas nos filmes que consumimos?
Sobre o filme: http://www.ultimaparada174.com.br/
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Até +.
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Ensaio sobre a cegueira. Outubro 28, 2008
Posted by lupado in * Filmes.Tags: ensaio sobre a segueira
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Intenso. Se eu fosse resumir em uma palavra o que senti após assistir o longa, seria INTENSIDADE. É impossível ter uma única interpretação sobre o enredo. O contexto nos leva a reflexões sobre vários aspectos relacionados a vida em sociedade. Individualidade, medo, preconceito, sadismo, instinto selvagem, negligência do poder público, violência banal, desordem, caos, sujeira e dignidade de poucos.
Será que a sociedade está cega e não percebe?
Muitos críticos da área falaram que o filme é deprimente, óbvio e não fiel aos sentimentos provocados pela obra impressa.
Vejamos. Claro que é deprimente! A depressão é o fator “x” da história! Sujeira, caos, sadismo e tudo mais é o quê?
Também é óbvio sem dúvidas! Mas o que não seria óbvio ali?
E, por fim, claro que não deve provocar sentimentos iguais aos acendidos pelo livro. Qualquer mortal dotado de pouca razão sabe que, a escrita é muito mais detalhista que qualquer obra cinematográfica.
Final “água com açúcar” – eles voltam a enxergar. Alguém tem que abrir os olhos, não?
Viver para criticar o que não é nosso, está se tornando cada vez mais chato!
Entendo que, o filme não foi feito com a única intenção de ganhar prêmios; para apenas competir com as grandes produções holywoodianas – apesar de apresentar imagens urbanas fantásticas. Os críticos tornaram-se CEGOS aos quesitos reais de uma história e, hoje, evidenciam somente as produções técnicas e fantasmagóricas. Eta indústria cultural de Adorno.
A intenção do filme, a meu ver, é simplesmente atentar o público a questões presentes no cotidiano dos grandes centros urbanos. Um alerta talvez. Mas para se ter uma interpretação tão simples e natural dessas, deve-se ficar afastado das paixões sensíveis, o que não ocorre na atualidade, em grande maioria.
Contentemos-nos, – como já disse em algum texto passado -, a pagar para ver “Rambo 300; Jogos Mortais 500; Eu sei, vi, ainda sei, continuo sabendo o que vocês fizeram no verão passado” entre outras pérolas. Esses sim devem ser considerados “super produções” por nossos atuais “críticos”.
Sobre o filme: http://www.ensaiosobreacegueirafilme.com.br
Até +!

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Cinema: Hancock Julho 15, 2008
Posted by lupado in * Filmes.add a comment
Ok, ok! O filme não é lá um dos mais entusiastas, mas devemos considerar os fatores que realmente quebraram todo o contexto dos super-heróis até hoje apresentados. Hancock não é um super-herói comum. Ele é alcoólatra e procura resolver os problemas da pior maneira possível; extremamente atrapalhado e indiferente, muitas vezes, com outros problemas sociais. O filme não é uma maravilha, confesso, mas achei o enredo bastante convidativo. Aqueles que foram ao cinema esperando mais um “Homem de Ferro” devem estar aos gritos achando terem jogado dinheiro fora.
Bom, é algo diferente do normal, apenas isso. Tornaram um super-herói mais próximo dos humanos, ou seja, no filme, o herói não é um gatinho, filho de papai, super dotado, possuidor de várias máquinas, apegado a tecnologia e extremamente superior aos seus inimigos. Por esse motivo, vale a pena assistir o longa – ver algo diferente. Mas não vá achando que é tudo de bom hein!? Eu apenas citei o discurso, não falei que é uma super ação, cheia de emoções e risadas. Não, definitivamente, não falei isso.
Levemos em conta a crise – A crise!
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A Ilha X Admirável mundo novo Julho 14, 2008
Posted by lupado in * Filmes, * Livros.Tags: a ilha admirável mundo novo aldous huxley
1 comment so far
X 
Coincidentemente, nos últimos dias, estava lendo um livro chamado Admirável Mundo Novo; obra recomendada no meu primeiro ano de faculdade. Imaginem só, primeiro ano na Universidade e recomendaram um livro nada atrativo para leitura – pelo menos, naquela fase da vida. É claro que comprei o exemplar, mas deixei por exatos oito anos envelhecendo nas prateleiras de casa. Lembrei do mesmo e, quando o peguei em minhas mãos, já estava com todas as páginas amareladas. Decidi lê-lo e o seu conteúdo me fascinou. Talvez, se eu tivesse lido naquela época, não teria interpretado como hoje interpretei. Fenomenal!
O jornalista Aldous Huxley, em 1931, escreveu uma fábula incrível sobre como seria a sociedade no futuro, por volta de 2000. Cidadãos clonados criados sob condicionamento para realizarem atividades de acordo com o que fora definido antes de suas existências, sexo à vontade com variados parceiros desde as aulas práticas (quando pequenos), drogas chamadas de “soma” para espantar qualquer indício de tristeza ou apenas para dar “um barato” nos momentos de lazer. Uma loucura total, uma sociedade demais de organizada e sem maiores instruções, sem questionamentos, apenas felizes por exercerem as funções empregadas a cada um.
O autor, em vários momentos da obra, faz trocadilhos com relação ao “Deus” daquela sociedade condicionada e sem religiosidade. As expressões como “Oh Deus”, são substituídas por “Oh Ford”, isso mesmo! Referem-se a nada mais que Henry Ford – o homem que foi capaz de tornar a sociedade mais organizada; é claro, de acordo com os interesses da Ford Motors, capaz de transformar e condicionar seus empregados e ter o modelo seguido por grande parte das empresas de todo o mundo. Chega a ser hilário, ler o livro e assimilar aquele fictício formato de sociedade às idéias de Taylor, adotadas e empregadas por Henry Ford. Huxley, em 1931, foi capaz de prever inúmeras situações que, anos depois, vieram à tona. Grande prova disso, é a brecada que a genética teve que dar com relação as famosas “Dollys”.
Falando em clones, quando ainda não tinha terminado a leitura do livro citado, assisti um filme que me chamou a atenção, A Ilha (2005). O longa exibe também em ficção, a sociedade futura. Só que, no caso, os clones são uma forma de “seguro” encomendados por pessoas riquíssimas da sociedade “comum humana”. Eles são criados exclusivamente para retirada de órgãos. O que os clientes da milionária empresa não sabem, é que seus “seguros”, possuem sentimentos e são, a todo o tempo, enganados que estão no local por terem sido salvos de uma infecção contagiosa, fora do espaço em que se encontram.
A relação do longa de Michael Bay com a obra de Huxley é bastante evidente. Parece que o filme foi baseado no livro. A forma como os seres são criados geneticamente é muito semelhante, inclusive os nomes de “séries” (do nascimento de cada “leva”), são parecidos. É impossível não ligar um ao outro. Os dois casos apresentados possuem características semelhantes e, os únicos fatos que os diferenciam, é o fim para o qual os clones são criados e a data de criação das respectivas obras.
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