Fim do Filme: Caso Eloá virou livro! Dezembro 22, 2008
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Estava entretida com as prateleiras da conceituada livraria Saraiva, quando passei meus olhos por um livro chamado: “A tragédia de Eloá, uma sucessão de erros”. O livro estava exposto no espaço de Sociologia, junto com obras de grandes autores como Bauman e Canclini.
Confesso que peguei o livro e, ao verificar a capa que destaca o nome “ELOÁ” e apresenta a foto mais chamativa do episódio, caí na gargalhada. A primeira palavra que veio em meu pensamento foi: OPORTUNISMO – e do mais barato possível!
Há um tempo, quando o episódio Eloá era apresentado em todas as transmissoras, eu escrevi um texto neste mesmo espaço comentando exatamente a transformação do telejornalismo em telenovela, chamado “A imprensa brasileira virou telenovela”, ou seja, desde o seu início o episódio já estava sendo tratado como mercadoria, no caso, o entretenimento.
Em breve pesquisa sobre o assunto, descobri que o livro foi escrito em apenas 08 dias – prazo exigido pela editora que contratou o jornalista-autor. Detalhe: em sigilo absoluto, pois outra editora poderia roubar a “brilhante” idéia, como afirma o próprio autor em entrevista:
A Editora estabeleceu um prazo determinado para a entrega da obra?
Campos - Estabeleceu sim. Depois de ter aceito o convite, tinha cerca de oito dias para entregar todo o texto para que fosse viável à editora o lançamento ainda neste ano. O fato é que eu não podia tirar licença da Band para escrever porque o projeto era sigiloso. Uma das exigências da editora foi que eu trabalhasse no mais absoluto sigilo. Até por questão de espionagem. Outra empresa poderia abraçar a idéia com outro autor. Então não deixei de trabalhar, continuei na minha rotina normal, mas em qualquer horário livre, estava escrevendo, pesquisando. A única coisa que fiz foi pedir para que minha esposa viajasse com minha filha (ela tem apenas quatro anos) para que eu tivesse as noites livres para trabalhar. Então, tive quatro noites consecutivas para trabalhar em casa.
No decorrer da entrevista, o autor afirmou que o livro foi feito simplesmente para “pagar as contas da empresa”, visto que ninguém vive de idealismo. Acredito nisso também, vivemos em um mundo estupidamente capitalista, capitalistas somos. No entanto, achei incrível a falta de postura e ética, tanto com a falecida Eloá quanto com a própria população.
Campos, o autor do livro, disse ainda que o Brasil não possui o hábito de lançar livros quando o assunto está vivo como, por exemplo, os inúmeros livros lançados nos EUA ao decorrer da candidatura de Barack Obama. No entanto, ele esqueceu que somos, culturalmente, diferentes dos americanos; ainda não transformamos TUDO em mercadoria, apesar de caminharmos para o mesmo abismo. A cultura americana é extremamente consumista.
Os elementos da capa que servem de atrativo para o público-alvo são tão apelativos que, para os mais esclarecidos, chegam a provocar repúdio.
Enfim, sinto tristeza em saber que esse livro foi destinado aos menos informados e que será o “presente” de Natal de muitos. A figura Eloá virou mercadoria e não duvido que logo esteja nas prateleiras das lojas de brinquedo, roubando o lugar da Barbie.
Para quem quer ler a entrevista toda: http://www.masteremjornalismo.org.br/noticia_view.php?id=1787
Até mais!
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Sobre o livro sorocabano “A síntese da exclusão” Dezembro 18, 2008
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Texto publicado no site: www.teiacultural.com.br

Eis que descobri que existem estudantes de Graduação que ainda se preocupam em fazer, não só um bom Trabalho de Conclusão de Curso, como um projeto útil para toda a sociedade.
Não conheço os autores do livro, Felipe Shikama e Fernanda Marques, mas posso garantir que são jovens com vasta visão social, fato que é muito discutido contemporaneamente – a falta de cidadãos preocupados com a ordem social, inquietos com a não- inclusão dos grupos menos favorecidos (ou totalmente desfavorecidos).
O livro “A Síntese da Exclusão” não é apenas um relato sobre a vida dos moradores do “Habiteto”, envolvidos com o movimento HIP-HOP, mas sim um GRITO à sociedade sorocabana que acredita não haver mais miséria na cidade.
Há algum tempo, o chamado “lixo social” (termo freqüentemente utilizado por Zygmunt Bauman, autor que admiro muito), foi “varrido” das belas praças reformadas e dos espaços de interesse político – aqueles que se tornaram mais visíveis.
Coincidentemente, nos últimos anos, também foi implantado o projeto “cidade super limpa”. Realmente a cidade está limpa e linda. Está bem cuidada, cheia de natureza e belas praças – transformou-se em um ótimo atrativo para grandes empresas e novos moradores. Disso não temos dúvidas e estamos muito satisfeitos. No entanto, junto com a “limpeza” do centro urbano sorocabano, foi também criada uma ilusão na cabeça dos cidadãos que passaram a acreditar que Sorocaba não possui mais pobreza, já que a miséria não está mais ao alcance de seus olhos. Ninguém se pergunta onde foram parar os habitantes que ocupavam os locais reformados? E, ainda, se a estes foram dadas melhores situações de morada e manutenção dos espaços?
Bom, o livro está aí. Está facilitado para quem quer saber o que ocorreu/ocorre na sociedade de Sorocaba e está disponível não só em informações, mas para quem quer também colaborar com essas pessoas. Para adquirir um exemplar, basta fazer a troca por qualquer outro livro, que será encaminhado à biblioteca do bairro discutido na obra. Coisa linda, não?
Quanto às questões do Hip-Hop, inserção de grupo e sociedade em geral, eu não quis me estender, pois, atualmente, desenvolvo uma pesquisa que diz respeito exatamente a esses assuntos, portanto, me alongaria muito. O intuito deste texto é apenas apresentar a obra e os jovens autores; parabenizá-los pela sensibilidade, pela preocupação e por saberem ocupar o real papel da palavra cidadão.
Parabéns!
Para quem quer saber mais, acompanhar o trabalho ou adquirir o livro: www.asintesedaexclusao.com.br
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Livro: A Idéa de Cultura – Terry Eagleton Agosto 22, 2008
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Muito se fala sobre cultura, mas, seus reais sentidos e/ou significados são complexos. Cada teórico entende e explica de formas diferentes, o que faz de seu sentido diverso. Terry Eagleton explica a cultura desde o sentido da palavra até a idéia de outros teóricos conceituados.
Não vou ficar no blá, blá, blá da cultura, pois, talvez, nem eu tenha uma idéia tão formada.
Na obra citada, o autor explica o que é ser culto. Achei esse trecho muito interessante, de bastante valia a muitos, talvez, todos. Estamos diariamente rodeados por pessoas que se julgam “cultas”. Será que estas, sabem o que realmente significa ser “culto”?
Para Terry Eagleton: “Ser civilizado ou culto é ser abençoado com sentimentos refinados, paixões temperadas, maneiras agradáveis e uma mentalidade aberta. É portar-se razoável e moderadamente, com uma sensibilidade inata para os interesses dos outros, exercitar a autodisciplina e estar preparado para sacrificar os próprios interesses egoístas pelo bem do todo”.
Que sirva a muitos, talvez, os mais sensíveis.
Até mais!
Livro: Globalização e as Consequências Humanas Agosto 22, 2008
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Desculpem-me a demora. Minha vida tem se resumido a estudos. Deixei tudo de lado, mas por uma boa causa. Assim, espero!
Bom, tenho lido algumas bibliografias muito interessantes. Continuei com exemplares de Bauman e, hoje, falarei sobre o livro “Globalização e as conseqüências humanas”.
A obra é curtinha e bastante interessante. Chama a atenção para uma realidade geral. O autor é polonês, mas a visão com que encara a realidade, faz com que a obra pareça ser brasileira a cada linha escrita. Ele aborda questões sociais, mais precisamente, a diferença entre as extremas classes sociais. O medo dos considerados “globais” em cercar – em todos os sentidos -, os espaços em que habitam a fim de afastar os “marginalizados” que os rodeiam, numa singela mensagem subentendida: “Você não pertence a este local, afaste-se”.
Ele também chama a atenção para o ponto de vista dos considerados “desfavorecidos” – A curiosidade em saber o que se conserva dentro daqueles monstruosos muros. Mas, como resposta a essa indagação, surge a televisão para apresentar o lado de dentro do muro, um mundo mágico, cheio de tecnologia e repleto de novidades. Um mundo sem graça para os que vivem afortunados e, ao mesmo tempo, um mundo de magia, fora da realidade para os “curiosos” que enriquecem cada vez mais, determinados meios de comunicação de massa.
Vale muito a pena ler.
Até mais!
Livro | Comunidade – Zygmunt Bauman Agosto 5, 2008
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“As palavras tem significado: algumas delas, porém, guardam sensações. A palavra “comunidade” é uma dessas. Estar e participar de uma comunidade significa estar bem. O exemplo de que se alguém se afasta do caminho certo é visto como “estar em má companhia”. As companhias e a sociedade podem ser más; mas não a comunidade. O sentimento da comunidade é sempre de uma sensação boa”.
Comunidade é o tipo de mundo que não está, lamentavelmente, a nosso alcance – mas no qual gostaríamos de viver e esperamos via a possuir. “Comunidade” é nos dias de hoje, outro nome de paraíso perdido – mas a que esperamos ansiosamente retornar, e assim buscando febrilmente os caminhos que podem levar-nos até lá.
A comunidade que as pessoas procuram é um ambiente seguro, sem ladrões e a prova de intrusos. Hoje, “comunidade” quer dizer isolamento, separação, muros protetores portões vigiados e cercas elétricas.
Bauman também explica essa nova idéia de comunidade em seu livro: Globalização: as Conseqüências humanas. O autor cita a diferença entre as pessoas da “elite global” e as que não foram favorecidas com as conseqüências da globalização – moradores dos guetos que, segundo o autor, não podem ser considerados viveiros de sentimentos comunitários, mas sim, um laboratório de desintegração social, de atomização e de anomia (fata de identidade).
A Ilha X Admirável mundo novo Julho 14, 2008
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X 
Coincidentemente, nos últimos dias, estava lendo um livro chamado Admirável Mundo Novo; obra recomendada no meu primeiro ano de faculdade. Imaginem só, primeiro ano na Universidade e recomendaram um livro nada atrativo para leitura – pelo menos, naquela fase da vida. É claro que comprei o exemplar, mas deixei por exatos oito anos envelhecendo nas prateleiras de casa. Lembrei do mesmo e, quando o peguei em minhas mãos, já estava com todas as páginas amareladas. Decidi lê-lo e o seu conteúdo me fascinou. Talvez, se eu tivesse lido naquela época, não teria interpretado como hoje interpretei. Fenomenal!
O jornalista Aldous Huxley, em 1931, escreveu uma fábula incrível sobre como seria a sociedade no futuro, por volta de 2000. Cidadãos clonados criados sob condicionamento para realizarem atividades de acordo com o que fora definido antes de suas existências, sexo à vontade com variados parceiros desde as aulas práticas (quando pequenos), drogas chamadas de “soma” para espantar qualquer indício de tristeza ou apenas para dar “um barato” nos momentos de lazer. Uma loucura total, uma sociedade demais de organizada e sem maiores instruções, sem questionamentos, apenas felizes por exercerem as funções empregadas a cada um.
O autor, em vários momentos da obra, faz trocadilhos com relação ao “Deus” daquela sociedade condicionada e sem religiosidade. As expressões como “Oh Deus”, são substituídas por “Oh Ford”, isso mesmo! Referem-se a nada mais que Henry Ford – o homem que foi capaz de tornar a sociedade mais organizada; é claro, de acordo com os interesses da Ford Motors, capaz de transformar e condicionar seus empregados e ter o modelo seguido por grande parte das empresas de todo o mundo. Chega a ser hilário, ler o livro e assimilar aquele fictício formato de sociedade às idéias de Taylor, adotadas e empregadas por Henry Ford. Huxley, em 1931, foi capaz de prever inúmeras situações que, anos depois, vieram à tona. Grande prova disso, é a brecada que a genética teve que dar com relação as famosas “Dollys”.
Falando em clones, quando ainda não tinha terminado a leitura do livro citado, assisti um filme que me chamou a atenção, A Ilha (2005). O longa exibe também em ficção, a sociedade futura. Só que, no caso, os clones são uma forma de “seguro” encomendados por pessoas riquíssimas da sociedade “comum humana”. Eles são criados exclusivamente para retirada de órgãos. O que os clientes da milionária empresa não sabem, é que seus “seguros”, possuem sentimentos e são, a todo o tempo, enganados que estão no local por terem sido salvos de uma infecção contagiosa, fora do espaço em que se encontram.
A relação do longa de Michael Bay com a obra de Huxley é bastante evidente. Parece que o filme foi baseado no livro. A forma como os seres são criados geneticamente é muito semelhante, inclusive os nomes de “séries” (do nascimento de cada “leva”), são parecidos. É impossível não ligar um ao outro. Os dois casos apresentados possuem características semelhantes e, os únicos fatos que os diferenciam, é o fim para o qual os clones são criados e a data de criação das respectivas obras.
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Teorias da comunicação- Muitas ou poucas? Junho 20, 2008
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O livro trata-se de uma discussão sobre as teorias da comunicação. Muitas das referencias utilizadas por pesquisadores de comunicação, são teorias recentes e pertencem a áreas como sociologia, psicologia e ciências políticas.
Afinal, o que são as teorias? Como classificar estudos como teorias? O livro leva-nos a refletir sobre essa questão.
“A falta de familiaridade com conceitos de teoria leva alguns pesquisadores a classificar erroneamente qualquer hipótese ou idéia como sendo “teoria”.
Como muitos dizem por aí, é de dar nó no cérebro.
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Identidade Junho 13, 2008
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ZYGMUNT BAUMAN, em seu livro Identidade, refere-se às transformações humanas que estão ocorrendo em um período caótico, considerado por ele, como modernidade líquida ou por outros sociólogos e filósofos, como pós-modernidade.
O livro é muito interessante. Revela o contexto de se viver em um período em que, ter o poder de escolha de uma identidade, não é mais uma questão de luxo – como era antigamente, mas sim, uma necessidade imposta contemporânea. Não estar preparado para as diversas transformações e/ou não se encaixar nelas, significa estar afastado, fora de uma realidade constante e que não cessa.
Estamos vivendo em um momento de incertezas e inseguranças que tornam nossas identidades culturais, sociais, religiosas, profissionais e sexuais, contínuas transformações, ou seja, não temos mais uma identidade cultural fixa. No caso, não somos “raízes” intocáveis de um espaço único. A globalização permitiu que a humanidade se transformasse em culturas fragmentadas – o seu carro é japonês, a sua cozinha é italiana, sua crença budista e seu programa predileto de televisão, americano.
Viver em um mundo confuso, rápido e inconseqüente, tornou-se um desafio às pessoas mais rígidas. Para se viver bem, nesse espaço fragmentado, é necessário que haja uma transformação dos valores de cada um; uma transformação de identidades fluidas; ou, em palavras mais “chulas”: “devemos dançar conforme a música”.
Se não estiver satisfeito com a sua identidade física, entre na loja de roupas mais próxima e saia como uma outra pessoa.
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Atenção! O texto acima não é um resumo do livro e sim uma interpretação pessoal. Portanto, se estiver pesquisando sobre o mesmo, verifique resumos em outras páginas.
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Sobre o autor
ZYGMUNT BAUMAN, sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade. Logo em seguida emigrou da Polônia, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos. Responsável por uma prodigiosa produção intelectual, recebeu os prêmios Amalfi (em 1989, por sua obra Modernidade e Holocausto) e Adorno (em 1998, pelo conjunto de sua obra). Atualmente é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia. Tem mais de dez obras publicadas no Brasil pela Zahar, todas elas de grande sucesso.
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