jump to navigation

Sobre o livro sorocabano “A síntese da exclusão” Dezembro 18, 2008

Posted by lupado in * Livros, * Teia Cultural.
Tags:
add a comment

Texto publicado no site: www.teiacultural.com.br

sintese

Eis que descobri que existem estudantes de Graduação que ainda se preocupam em fazer, não só um bom Trabalho de Conclusão de Curso, como um projeto útil para toda a sociedade.

Não conheço os autores do livro, Felipe Shikama e Fernanda Marques, mas posso garantir que são jovens com vasta visão social, fato que é muito discutido contemporaneamente – a falta de cidadãos preocupados com a ordem social, inquietos com a não- inclusão dos grupos menos favorecidos (ou totalmente desfavorecidos).

            O livro “A Síntese da Exclusão” não é apenas um relato sobre a vida dos moradores do “Habiteto”, envolvidos com o movimento HIP-HOP, mas sim um GRITO à sociedade sorocabana que acredita não haver mais miséria na cidade.

Há algum tempo, o chamado “lixo social” (termo freqüentemente utilizado por Zygmunt Bauman, autor que admiro muito), foi “varrido” das belas praças reformadas e dos espaços de interesse político – aqueles que se tornaram mais visíveis.

Coincidentemente, nos últimos anos, também foi implantado o projeto “cidade super limpa”. Realmente a cidade está limpa e linda. Está bem cuidada, cheia de natureza e belas praças – transformou-se em um ótimo atrativo para grandes empresas e novos moradores. Disso não temos dúvidas e estamos muito satisfeitos. No entanto, junto com a “limpeza” do centro urbano sorocabano, foi também criada uma ilusão na cabeça dos cidadãos que passaram a acreditar que Sorocaba não possui mais pobreza, já que a miséria não está mais ao alcance de seus olhos. Ninguém se pergunta onde foram parar os habitantes que ocupavam os locais reformados? E, ainda, se a estes foram dadas melhores situações de morada e manutenção dos espaços?

Bom, o livro está aí. Está facilitado para quem quer saber o que ocorreu/ocorre na sociedade de Sorocaba e está disponível não só em informações, mas para quem quer também colaborar com essas pessoas. Para adquirir um exemplar, basta fazer a troca por qualquer outro livro, que será encaminhado à biblioteca do bairro discutido na obra. Coisa linda, não?

Quanto às questões do Hip-Hop, inserção de grupo e sociedade em geral, eu não quis me estender, pois, atualmente, desenvolvo uma pesquisa que diz respeito exatamente a esses assuntos, portanto, me alongaria muito. O intuito deste texto é apenas apresentar a obra e os jovens autores; parabenizá-los pela sensibilidade, pela preocupação e por saberem ocupar o real papel da palavra cidadão.

Parabéns!

Para quem quer saber mais, acompanhar o trabalho ou adquirir o livro: www.asintesedaexclusao.com.br

.

O pequeno grande mercado das bandas alternativas Dezembro 11, 2008

Posted by lupado in * Música, * Teia Cultural.
Tags:
add a comment

dead1Há uma semana, fui abordada por um amigo que estava vendendo convites para a apresentação de sua banda, que abriria, junto com outras, o show da Dead Fish, no dia 6/12.

Eu não entendi o porquê da necessidade das vendas antecipadas dos convites, já que, sabendo que a Dead Fish é consagrada no meio alternativo, não deveria haver a tensão das vendas precipitadas. Questionei meu amigo que, muito frustrado, explicou-me a atual “regra” para entrar no meio musical alternativo.

Nesse evento em especial, as bandas deveriam vender pelo menos 20 convites para garantir sua apresentação. Para tanto, a banda teria que deixar um “cheque calção” com a organização e retirar os 20 convites. Ou seja, em palavras óbvias, a banda deveria, literalmente, comprar os convites no valor de R$ 20,00 e revendê-los.

As regras foram bem claras: se a banda não vendesse os convites, tomaria prejuízo e correria o risco de não se apresentar, ou, a banda que vendesse a maior quantidade de convites – acima da quantidade estipulada-, tocaria mais próxima do horário da banda principal. Analisando a partir destas informações, podemos concluir que, hoje, não há mais o mérito do bom trabalho, visto que, a “melhor” banda é escolhida pela capacidade de venda de convites (o esquema é montar uma banda com bons vendedores ou pessoas bem da $$$, rs!).

Bom, comprei o convite para dar uma força ao meu amigo, mas acabei não comparecendo ao show, felizmente, pois a Dead Fish só atrapalhou o evento.

Primeiro a banda reclamou da estrutura:

Motivo 1º: pouco público (mesmo com a casa lotada) – desculpa para exigir o adiantamento da metade do cachê.

Motivo 2º: a aparelhagem de som não estava dentro das “necessidades” da banda – desculpa para o adiantamento de mais uma parte do cachê.

Por fim, perto do horário da apresentação, os integrantes da Dead Fish sumiram do local alegando não ser um evento suficiente para a presença dela. O interessante é saber que o grupo já havia tocado no mesmo evento há algum tempo, o que prova o conhecimento com relação à estrutura.

Conclusão: Público revoltado, quebrando cadeiras, puxando cabos ativos e desrespeitando a banda que antecedia a principal, organizadores e integrantes de outras bandas sendo ameaçados de linchamento e mais toda aquela cena que já sabemos como se desenrola. Uma palhaçada só. Palhaçada da organização com as bandas sérias, palhaçada da Dead Fish com os organizadores e principalmente com o público e palhaçada do público com o espaço.

Eu já auxiliei eventos com bandas alternativas, quanto fazia parte da equipe do site Sorocabarock.com e, desde então, as bandas já se esforçavam para aparecer no cenário alternativo. O interessante era observar a vontade e a dedicação que as bandas tinham em colaborar para um bom evento. A verba arrecadada era insuficiente para dividir entre as bandas e, assim sendo, era destinada às despesas gerais do evento como transporte, flyers, acerto de contas com aluguel do espaço, com seguranças e aparelhagem de som. Velhos e bons tempos! Diferentemente, hoje, muitos organizadores de Sorocaba e região encontram maneiras de aproveitar o gás e a vontade de destaque das inúmeras bandas para garantir a verba do evento, ou seja, além de se apresentar de graça, as bandas assumem o papel de “promoters” e vendedoras e, as menos populares, acabam pagando para tocar.

Se você pensa em montar uma banda alternativa, pense duas vezes antes de entrar para esse mercado ou contrate logo um vendedor para integrar o grupo.

Detalhe: O show da banda Fresno já está marcado e as regras para a escolha das bandas que participarão serão as mesmas, exceto a quantidade de convites a serem vendidos que será o dobro da quantidade do evento citado acima.

.

.

Júpiter e Vênus ou máquinas? Dezembro 2, 2008

Posted by lupado in * Teia Cultural.
Tags:
add a comment

clip4042Ontem, por volta das 21h, estava com algumas pessoas tomando suco, quando surgiu um senhor, um tanto simpático, e interrompeu a nossa conversa. Segurando um coco, ele se desculpou por atravessar o papo e pediu para que olhássemos em direção à lua, que, muito brilhante, dividia o céu com duas lindas estrelas. 

Contemplamos aquela cena por alguns minutos, até que aquele agradável senhor parou um conhecido seu – um pouco mais jovem -, e lhe chamou a atenção para a mesma imagem. O conhecido, com um ar de decepção, tentou explicar da melhor forma possível que aquela cena não era um acontecimento natural, pois, as estrelas não passavam de dois satélites que há algum tempo já estavam expostos no espaço. O senhor, um tanto sem graça, nos contou a “novidade” e, de mansinho, se afastou encabulado.

Hoje, pela manhã, recebi a notícia de que aquele acontecimento era natural em seu todo e que só ocorrerá, novamente, no ano de 2053.

Gostaria imensamente de reencontrar o senhor e dizer a ele que ainda há no mundo a beleza natural.

Não basta muito para imaginar como aquele homem vivido encostou sua cabeça no travesseiro, na mesma noite. Deve ter se desiludido e se sentido humilhado com a reação “ingênua” perante os mais jovens – atitude de quem presenciou um mundo mais natural, menos alterado pelas mãos dos que hoje se encarregam de criar espetáculos artificiais.

Gostaria ainda de dizer ao senhor que ele estava correto e que “ingênuo” era o homem mais jovem em acreditar que não há mais beleza natural, em desacreditar em perfeições sem a mão do homem e se contentar em crer que até as estrelas, hoje, são máquinas.

Aquelas “máquinas”, meus senhores, eram os planetas Júpiter e Vênus e, talvez, no ano de 2053, não existam mais senhorzinhos que ainda acreditam na beleza natural do mundo.

Fonte da imagem: orbita.starmedia.com

 

Retrato Urbano | “Sorria você está sendo filmado”. Junho 23, 2008

Posted by lupado in * Teia Cultural.
add a comment

Quem nunca ouviu frases do tipo: “Ah meu Deus, o mundo está perdido com tanta violência; Até quando vamos nesse ritmo violento…?”.

Infelizmente, vamos nesse ritmo até quando o homem existir. A violência sempre esteve presente, o que mudou de tempo em tempo, foram os objetos utilizados para exercer o ”horror”. Quando fora dos centros urbanos, ela ocorria de forma tão cruel em áreas rurais, e falo de uma época muito recente…

Todos sabem que houve um momento (meados de 20 e 30) que os grupos de cangaceiros espalharam o terror em várias regiões do Brasil. Isso já ocorria muito antes de 1900, mas, o ápice do terror ocorreu mesmo, quando Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, tomou a frente dos grupos.

Tornar-se um cangaceiro, era um orgulho àqueles fora-da-lei que, com sede de vingança sem causa, matavam pessoas da forma mais cruel possível. Estudiosos do assunto, afirmam que o terror que o grupo de Lampião causava, pode ser comparado ao mesmo terror que grupos de traficantes e afins espalham hoje, nos centros urbanos. Da mesma forma que, armas são cedidas para traficantes, naquela época, autoridades também forneciam armas de fogo aos grupos, ou seja, nada mudou!

Sempre houve a lacuna da violência e, desde sempre, existiram rebeldes e marginalizados; a única diferença é que a tecnologia trouxe algumas vantagens (e desvantagens). Um exemplo de vantagem é o ocorrido em frente a discoteca (se posso chamar assim), Soft Music, localizada em Sorocaba. Um rapaz foi estupidamente e covardemente espancado por um bando de bichos em frente ao tal estabelecimento, enquanto a câmera de segurança da loja ao lado, filmava a cena em todos os detalhes.

“O horror chegou a Sorocaba”.

Gente, o horror sempre existiu em Sorocaba, a diferença é que não tínhamos acesso as imagens e, por conta de boatos e imprensas mal trabalhadas, ficávamos a mercê de histórias pré-concebidas. Hoje, podemos ver o quanto é próximo e banal um ato cruel desses. Prova de que crueldades como essas são comuns, foi o segurança | S-E-G-U-R-A-N-Ç-A?… Bom, foi o animal que ficou “prestigiando” aquela cena corriqueira (para ele) que deve degustar de, pelo menos, umas dez por noite.

Enfim, a minha mensagem é que, não importa a forma e o meio, a violência sempre foi cometida por feras disfarçadas de humanos e sempre será. O único fato que não muda, é a desculpa incoerente de que esses covardes agem dessa forma por não terem apoio, por viverem a margem da sociedade. Desculpem-me a franqueza, mas, conheço muitas pessoas simples, vizinhas de muitos “fora-da-lei”, que não utilizam da posição social como desculpa para saciarem a fome de sangue, como a desses dementes sem causa.

Nesse caso, viva a tecnologia e sorria, você está sendo filmado!

O avanço da tecnologia já mostrou sua eficiência, basta por sua vez, o Brasil avançar em leis mais úteis e comuns a todos.

Dica: a revista “Aventuras na história” (Abril), está neste mês, com uma matéria muito interessante sobre o Cangaço.

.

Kasato Maru – Viva o Japão Junho 18, 2008

Posted by lupado in * Teia Cultural.
add a comment

De acordo com o que já citei em textos anteriores, não podemos dizer que possuímos uma cultura fixa, ou seja, não podemos dizer que somos “raízes” únicas de um determinado espaço.

Não há data melhor para bater novamente nessa tecla. Hoje, o Brasil comemora 100 anos da imigração japonesa. Falar em 100 anos, parece ser muito distante, mas, imaginem que, nossos amigos orientais, são netos ou bisnetos dos primeiros imigrantes japoneses desembarcados do Kasato Maru, no Porto de Santos, em 1908; falar nessa maneira faz com que percebamos o quanto recente é “100 anos” na nossa história.

Cem anos depois de 1908, desconheço elementos fixos de nossos espaços urbanos, que não tenham em suas decorações, pelo menos um objeto de cultura japonesa e, num centenário geral, eles acrescentaram nossos setores automobilísticos, alimentícios, cinematográficos, tecnológicos, entre outros. Até no programa Fantástico (um dos programas mais importantes do Brasil) a cultura japonesa está bastante evidenciada.

Esses exemplos são apenas os mais básicos e visíveis. Se pararmos para analisar o quanto temos do Japão, somos obrigados a concordar que, nossa cultura também é japonesa.

Em Sorocaba, na última década, abriram-se pelo menos, quatro estabelecimentos da culinária japonesa. Hoje, temos um total de seis restaurantes, muito bem freqüentados por sinal. O último acontecimento relacionado foi a praça chamada Kasato Maru, localizada entre duas avenidas muito movimentadas da cidade – Av. Antônio Carlos Comitre e Washington Luiz. Vale a pena dar uma olhada a noite, o espaço está maravilhoso, com iluminação para encher os olhos; um novo cartão postal para a cidade que demonstra o quanto a imigração japonesa nos foi importante e, o quanto é respeitada por todos. Parabenizo essa iniciativa.

______

Só por curiosidade, o Kasato Maru foi um navio a vapor russo, utilizado na guerra da Rússia contra o Japão, em 1904. Com a vitória e a posse do navio, o Japão reformou-o para navegar 781 imigrantes para o Brasil, em 1908; em 1910, trouxe mais 908 japoneses. Após as imigrações, o navio foi utilizado como cargueiro e, com fim trágico, destruído na Segunda Guerra Mundial.

A foto a seguir, é um quadro do Museu dos Cafés – localizado na cidade de Santos, que eu fotografei, em Maio deste ano.

.

Fernanda Porto e Christianne Neves – Costumam dizer “Multiinstrumentista”, é só isso mesmo?! Março 31, 2008

Posted by lupado in * Teia Cultural.
comments closed

f1.jpg            Deve haver uma palavra maior para descrever Fernanda Porto e Crhistiane Neves.

             Quando cheguei ao local do show e olhei para a estrutura montada, imaginei uma banda com mais de “vinte” integrantes. Laptop, violão, percussão, cavaquinho, guitarra, sax e dois teclados, eram alguns dos instrumentos que “decoravam” o espaço.

              Fernanda Porto subiu ao palco (com seu jeito todo meigo) e mostrou a verdadeira potencia de sua voz ao vivo. Além de composições próprias e em parceria com Christianne Neves, a musicista apresentou vários sucessos da MPB em versões elaboradas por ela, dentre eles: “Só tinha de ser com você” – Tom Jobim, “Sampa” – Caetano Veloso e “Roda Viva” – Chico Buarque.

             Entre um play e outro em sua “maçãzinha” (seu mac), Fernanda cantava e fazia acompanhamento instrumental com caixa, guitarra, violão, teclado e sax.

             Mas quero chamar a atenção para a Christianne Neves. A musicista e também multiinstrumentista levou o público ao delírio. O ginásio lotado da Academia de Ensino Superior gritava e vibrava com as maravilhas que ela mostrava saber fazer. Só quem presenciou consegue descrever o que é uma mulher tocar percussão e teclado ao mesmo tempo, pasmem! Além de dar um show no cavaquinho. Alguém já viu mulher tocar cavaquinho? Eu nunca havia visto!  Sem contar a presença de palco que, cheia de gingado, caras e bocas, proporcionou um brilho especial para a apresentação.

       Um contraste de personalidades com excelência.

Vejam algumas fotos fotos:

fec3.jpg f1.jpg c1.jpg 

bri.jpg f2.jpg c3.jpg

fec2.jpg f3.jpg fec1.jpg 

c2.jpg f4.jpg c4.jpg

 .

Mais fotos em: www.flickr.com/photos/thifani

.

Zélia Duncam fez o Campolim tremer! Março 17, 2008

Posted by lupado in * Teia Cultural.
comments closed

    Praça lotada com pessoas de todas as idades fez do último domingo sorocabano, um marco para a história cultural de Sorocaba.

    A apresentação de Zélia Duncam com Christiaan Oyens no projeto Metso Cultural foi perfeita e cheia de energia. Cantando seus maiores sucessos e também sucessos de amigos como Frejat e Rita Lee, Zélia Duncam contou com um verdadeiro coro sorocabano. Coisa linda de ver!

É claro que sempre existem alguns “por fora”. Presenciei discussões de pessoas sentadas mais atrás, xingando e ofendendo o pessoal que estava em pé. Gente, o que esperar de um show desses? A mulher e a banda siplesmente levaram o público ao delírio, queremos assistir em pé sim, pra pular e vibrar juntos. Enfim, deixa pra lá! Nem tudo é perfeito.

Finalizo com a frase pronunciada pela própria ao final do show:

“Precisamos de mais eventos como esse, domingão ao ar livre onde vocês possam trazer as crianças e o melhor: gratuito”.

    Complemento dizendo: Também podendo tirar fotos a vontade e filmar o quando desejarmos. Não tem preço!

Detalhe para o biss que foi mais de três músicas…

Não preciso dizer mais nada né?

Parabéns a Metso Cultural.

Breve os vídeos.

.
dsc01499.jpgdsc01547.jpgdsc01523.jpg

dsc01557.jpgdsc01550.jpgdsc01561.jpg